09 Dezembro 2009

Postal de Natal e a Rua das Hortas num Natal do início da década de 70

 















 1. Postal de Boas Festas da Foto ROTIV com vista geral da cidade de Moçâmedes numa altura em que a avenida marginal e o porto de cais já estavam prontos.

 














2. A Rua das Hortas com iluminação de Natal, num ano algures no início da década de 70.

 
PAI-NATAL

Pai-Natal
Gorducho como és,
Com esse ventre obeso,
Como podes passar nas chaminés
Sem ficar preso?!

E como podes inda, sem perigo,
Com essas botas grossas, quando avanças,
Não perturbar o sono das crianças
Que adormeceram a sonhar contigo?!

Como podes passar,
Com essas barbas longas e nevadas,
Sem medo de assustar
Crianças que se encontram acordadas?!

Eu sei!
Eu digo-te a razão,
Embora se me parta o coração!

É que tu, risonho Pai-Natal,
Só entras em palácios de cristal,
Por chaminés de mármore e jade
Onde o rotundo ventre
Passe, deslize e entre,
Libérrimo, em perfeito à vontade!

Como podem as botas vigorosas
Rangerem um momento,
Se alcatifas caras, preciosas,
Se espreguiçam por todo o pavimento!

Nem podes assustar
Crianças que se encontram acordadas,
Porque tens o cuidado de tirar
Essas revoltas barbas já nevadas!

E, assim, é,
Risonho Pai-Natal de riso e gestos ledos,
Vais aos palácios ricos, por teu pé,
Vazar o grande saco de brinquedos!

Antes fosses, risonho Pai-Natal,
Na noite friorenta,
De portal em portal,
De tormenta em tormenta!

E descesses aos lares pobrezinhos
Onde há doridas mães talvez chorando,
Ao seio acalentando
Os pálidos filhinhos!

Ou fosses campo em fora, em longas caminhadas,
A descobrir crianças sem abrigo,
Adormecidas, nuas, regeladas,
E ainda a sonhar contigo!

Mas não são esses, não, os teus caminhos,
Tu que vestes veludos e arminhos!

Quando Jesus nasceu,
No rigoroso frio do Inverno,
Nu e natural,
Sem outra benção que o olhar materno,
Sem mais calor que um bafo irracional.
Onde é que estavas tu, oh! Pai-Natal?!
Por onde andavas tu, oh! Pai-Natal?!

Sei bem onde é que estavas!
Sei bem por onde andavas!

Andavas, entre risos e folguedos,
Já com as barbas brancas e os bigodes,
A despejar saco de brinquedos,
-Na chaminé de Herodes!

Angelino da Silva Jardim
Moçâmedes. Natal de 1964
....................


Ainda nas vésperas da independência de Angola, o Natal  era festejado  na cidade de Moçâmedes, e no seio das familias de cultura euro-cristã, fossem pobres, ricas ou remediadas, com um sentimento de grande união familiar, que reunia uma ou mais famílias interligadas entre si, e compostas por avós, pais, filhos, netos, tios, primos, cunhados, sobrinhos e até amigos.  Nos dias que antecediam o Natal começava a euforia das compras que eram efectuadas na dúzia de lojas disponíveis, situadas sobretudo nas Rua das Hortas e dos Pescadores, ou seja, nas lojas do Graça Mira, irmãos Ilhas (ex-loja de Castro Silva), Casa Duarte, Camar, Casa Pires Correia, Armazéns do Bigodinho, Casa das Noivas, Casa das Louças, a Mercearia Carvalho Oliveira, Drogaria Rosa, Livraria Moçâmedes, e pouco mais. Ali podia-se encontrar de tudo um pouco, brinquedos , roupas, gulodices, artigos de mercearia, etc. etc.  Longe ia o tempo em que na Rua da Praia do Bonfim existiam outras duas lojas, os Armazéns do Minho e a Loja do Pinheiro, bastante concorridas nesta quadra, mas que  na década de 50 acabaram por encerrar.
 

Outra tradição bem portuguesa nesta quadra festiva, era a «missa do galo», que começava à meia noite em ponto e atraia muitos moçamedenses, homens e mulheres, a caminho da Igreja de Santo Adrião, ainda que a maior presença fosse do sexo feminino  

E a festa repetia-se na passagem de ano e no 1º dia do ANO NOVO. Para a maioria das familias a passagem de ano era motivo de reunião familiar idêntica à do Natal, para outras, era festejada em animados e elegantes Reveillons no Clube Nautico e no Atlético Clube de Moçâmedes, que começavam por volta das 22/23 horas, e se prolongavam até ao raiar do dia, altura em que muitos jovens aproveitavam para dar o primeiro mergulho do ano na Praia das Miragens, a nossa bela praia que tinha a vantagem de estar mesmo ali à mão, no centro da cidade. Por esta altura, apesar de se estar no início do Verão em Angola  as águas eram  ainda estavam frias, para o que concorria a chamada corrente fria de Benguela. No primeiro dia do ano, à tarde, ocorriam animadíssimas matinées dançantes nos mesmos salões do Atlético e do Casino, mas estas acabavam impreterívelmente às 20 horas. Naquele tempo havia respeito pela hora das refeições que deveriam ocorrer estando presentes todos os membros de uma família. Do mesmo modo, ninguém se deitava depois da meia noite.


Em tempos mais atrás e até ao finais da década de 40, era o Ginásio Clube da Torre, o Clube pioneiro da cidade (fundado em 1919), que organizava estes eventos (Revelillons, bailes da Pinhata, etc.) no seu mediano salão que passou a ser pequeno para tanta gente que para alí convergia, ida de todos os lados da cidade. Havia também o salão do Aero Clube de Moçâmedes, situado na esquina entre a Praça de Taxis ou Praça Gomes Leal e a Avenida da Praia do Bonfim, que durante décadas foi palco de animados bailes e matinées dançantes, como os que decorreram por ocasião do Centenário da Cidade, a 4 de Agosto de 1949. Mais tarde no local onde ficava o Aero Clube foi construido um prédio de grande porte, propriedade de José Alves.

Uma curiosidade. Nas passagens de ano em Moçâmedes era hábito um grupo de jovens da Torre do Tombo, pela madrugada, pegarem em piscéis e tinta e sairem para a rua com o objectivo de escreverem algumas piadas nas paredes das casas, enquanto os moradores dormiam. Geralmente andavam atentos a escândalos, casos passionais, vigarices, não cumprimentos nos pagamentos de dívidas etc. etc. Pela manhã quando as pessoas acordavam, começava o burburinho, o «diz que diz-se», o «diz que fez-se»... Eram escritos deste tipo: «Quantas ampolas tem a caixa?», ou então nomes sugestivos de filmes: «Ali Babá e os 40 ladrões», «A revolta na Baunty», «E tudo o vento levou«, «A Bela e o monstro», «O último moicano», que encerravam sempre um dignificado malicioso, uma mensagem crítica, que alimentava, uma cidade como Moçâmedes, onde poucas novidades aconteciam, o maquiavélico gostinho de uma certa má língua.

Ficam mais estas recordações de acontecimentos e vivências ocorridos na cidade de Moçâmedes, num tempo que já lá foi e não volta mais. 


MariaNJardim

08 Dezembro 2009

Festa de Natal dos alunos da Escola Nº 49, de Moçâmedes, Angola. 1959






































Clicar sobre as fotos para aumentar. Trata-se de uma cena de teatro  levada  cabo pelos alunos da Escola Nº 49 de Moçâmedes,  Angola, no Natal de 1959
Créditos de imagem: Salvador

04 Dezembro 2009

Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, irmã doroteia, e elementos da JIC: 1950

















Da esq. para a direita e de baixo para cima:
1ª fila: Lizette Ferreira, Juvelina Sena, Augusta Bento, Noémia Van-der-Kellen, Madalena Trindade e Celeste Matos
2ª fila: Fernanda, Fátima Santos, Henriqueta Barbosa (Miqueta), Fernanda Pólvora Dias,  Rute Melero, Madre Fernandes, Raquel Nunes, ?, Maximina e Julia Jardim   
3ª fila: Ester Guerra, Maria Simão, Carolina Mangericão, Adelaide Ernesto, Calila, Dilia Martins Nunes?, Maria Ilda, Lucia Reis (Brazão), Fátima Cunha e Bia Mangericão.

Poderão ver mais fotos de alunas deste Colégio de Moçâmedes, até 1975, em postagens amteriores, e
também   AQUI

Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, no ano de 1950

















Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, vulgo «Colégio das Irmãzinhas», no ano de 1950. Em cima, da esq. para a dt.: Lúcia  Reis (Brazão), Taneta, Maria Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, Fátima Santos; Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ?, Fátima Cunha, ?,?.
Embaixo: ?,?, Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé); Maria Amália Freitas Bensabá Duarte de Almeida, Amélia Anselmo Braz de Sousa, ?,?.

24 Novembro 2009

Jovens estudantes de Porto Alexandre (actual Tombwa)















in Mazungue foto de KadyPress

Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim





Mais um elenco de jovens moçamedenses que na época (1956/7), frequentavam a  Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes.

Reconheço, da esq. para a dt.
Em cima: Maria João, Professora ? e  Rosália Bento
Embaixo, mais recuadas: ?, ?, Claudia Guedes, ?Freitas e Laurinda Pereira
Embaixo, mais à frente: Maria José Gastão, ?, Maria Helena Braz de Sousa, Piedade, Leonilde (Nide),  ?Peixinho; Emilia Coelho de Oliveira (Mila) e Antonieta (Boneca)


Em cima, uma bela perspectiva da  Avenida da Praia do Bonfim, que se desenrola sob o «olhar» imponente de uma das duas gazelas que circundam a fonte luminosa, um dos ex-libris da cidade de Moçâmedes.

10 Novembro 2009

Grupo de alunos da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no deserto do Namibe: 1953/54




No Deserto do Namibe, em passeio naturalmente organizado pela Mocidade Portuguesa, reconheço, de cima para baixo e da  esq. para a dt.:
1. Julio Serra Matos (Julica),  Bulunga, Álvaro Jardim (Chamenga), Alhinho II, ?, Arnaldo Matos (Quinito),  Fernando Matias e ?
2. Teixeira Reis, Homem da Trindade (Careca), Ferreira da Silva (Cocas), Ferreira da Silva (Dudu), Marques (Figo maduro), Patrício e ?.
3. ?, José Luís Agostinho, ?, ?, ?, e Mouzinho.

04 Novembro 2009

Desporto em Moçâmedes, Angola: Quadrangular de Basquetebol feminino e de Hóquei em patins: 1956/7?







 

























Foto 1. Francelina Gomes, capitã  da Selecção de Moçâmedes, dá os habituais «vivas», após ter recebido  das mãos da esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte,  Maria Carolina Nunes da Ponte, a taça brilhantemente consquistada . Na pequena tribuna de honra do campo do Sporting Clube de Moçâmedes podemos ver, entre outros, o Capitão do Porto de Moçâmedes, o Governador de Sá da Bandeira, o Presidente da Associação dos Bombeiros de Moçâmedes, Sacadura Bretes, e a esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte.

Também nesta foto podemos ver algumas figuras conhecidas, tais como José Pedro Bauleth, o treinador da equipa do Ginásio da Torre do Tombo (embaixo, junto a Francelina Gomes), e mais à dt, embaixo, Júlia Castro, basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes. De chapéu, à dt., e um pouco mais acima, Cabral Vieira, tendo por detrás Zeca Pestana.

Foto 2. Selecção de Moçâmedes
 
 
Em cima, da esq. para a dt.:Helena Gomes, Celisia Calão, Fátima Abrantes, Bernardete Tavares, Marlene Oliveira e Eduarda Bauleth. Embaixo: Francelina Gomes e Clarabela Trindade.



 





















Foto 2. Arménio Jardim, capitão da selecção Moçâmedes, a equipa vencedora do Quadrangular da Huila de Hóquei em patins, recebe das mãos da esposa do Governador do Distrito, Maria Carolina Nunes da Ponte, a taça brihantemente conquistada. À esq., o Governador da Huila, à dt. o Governador de Moçâmedes, Nunes da Ponte.







Neste VIDEO que começa com a 1ª equipa de basquetebol feminino de Moçâmedes, a equipa do Sport Lisboa e Benfica, surgida no ano de 1949, podemos ver as diversas equipas de basquetebol feminino de Moçâmedes na década de 1950, a grande década desta modalidade desportiva em terras do Namibe. Os clubes eram então: o Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Sport Moçâmedes e Benfica, o Sporting Clube de Moçâmedes, o Atlético Clube de Moçâmedes, mas também e embora por muito pouco tempo, surgiu a equipa do Clube Ferroviário de Moçâmedes. Saiba AQUI pormenores.

Para ver mais: Moçâmedes Memórias Desportivas

30 Outubro 2009

VIDEO ACTUAL DA CIDADE DO NAMIBE: ex-MOÇÂMEDES













Fotos:  Museu etnográfico da cidade do Namibe  , fiel depositário dos «salvados» do Império...

1ª. O busto de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro
Chefe da 1ª colónia de portugueses que, idos de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes (actual cidade do Namibe) na barca «Tentativa Feliz», fugidos da revolução praeeira, ali chegaram no dia 04 de Agosto de 1849, data que ficou a marcar a fundação da cidade.

2ª. O Governador Sebastião Nunes da Matta (1878)

3ª. Vista geral do Museu, onde se podem ver os vários bustos e quadros representativos de alguns dos primitivos Governadores do Distrito de Moçâmedes

4. Foto de Riquita Bauleth, Miss Angola 1971

5. Várias fotos antigas

6. Óleo onde se pode ver a baía de Moçâmedes, a Ponta do Pau do Sul, uma caravela e muito povo na praia...

Clicar AQUI para ver mais sobre este Museu situado no 1º andar do edifício do antigo Hotel Central

VEJA AQUI: PROJECTO NAMIBE

29 Outubro 2009

Alunas do Liceu Américo Tomás em Moçâmedes: 1970

















Entre outras/os, ao centro, Riquita Bauleth (miss Portugal 1971) e Carlos Gavino. À dt. Lita (filha da cabeleireira Carlota). À esq., Céu Castelo Branco.
Para ver e saber mais sobre a eleição de Riquita, Miss Portugal 1971, clicar AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI

Entrevista a Riquita, miss Angola e Miss Portugal 1971: http://www.recordarangola.com/
Entrar
Seguidamente, clicar em "continuar"

depois, em "rádio"
depois, em "ouvir" (dia 03-10-2009)

 

Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3














Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3. Foto é grande; clicar sobre ela para aumentar . 

Entre outras que não recordo, estão: 
1ª foto, de baixo para cima e da esq. para a dt.:

1ªfila - Mimi Proença, ?,  Sónia, Magda e Vanda  Madeira, Lena e Conchita Moreira de Almeida, Lourdes Pessoa, Clara Bonvalot, Ruth Madeira; 
2ªfila - Stella Sena, Elsa Radich, Ana Grilo, Proença, Ineida, Lourdes Pessoa, Heloisa Leitão, Manuela Pessoa, Beta Passos Maruqes, Rosario Pacheco; 
3ªfila - ?,  Fati Leitão Almeida,  Margarida Duarte (Guida, com 2 laços), ?, Maria Adelina, ?, Julia Ferreirim (loira com franja), Emilia, Lourdes Russo, ????, Fati Morgado,  Minelvina, as 2 ultimas nao sei; 
4ªfila - Eduarda Astregilda, ?????,  Olimpia Moreira, Rosario Rosa (Bequito), ??? Fatima Pacheco,  Eduarda Almeida (Dada), ????, Eloisa Peixoto, as 7 ultimas nao sei; 
5ªfila - ????, Geninha Amado, ??,  Raquel Radich, Eloisa Trindade, ?, Teresa Carmona, Babisa, Rosa Diogo,???
6ªfila - ??????, Eteldina Carvalho (Tedina), ?, Manuela Faustino, ?, Marieta Madeira, ???

Foto gentilmente cedida por Vina Almeida



2ª foto:  Desfile das alunas do Colégio das Irmãs Doroteias na Rua Costa (paralela à Avenida da Praia do Bonfim), em Moçâmedes, passando ao lado dos Armazéns de Venâncio Guimarães, um dos homens mais ricos de Moçâmedes e de Sá da Bandeira, dedicado à agro-pecuária, à indústria de pesca e laticínios e ao comércio. Mais atrás,  o edifício da Capitania do Porto com a bandeira portuguesa hasteada, e ao fundo, a Fortaleza de S. Fernando.  

Para onde iriam estas meninas num dia de sol, com a estrada deserta? Repare-se no pormenor das irmãs da caridade com «sombrinhas» para se protegerrm do sol. Creio que em Portugal não havia este hábito e que  as ditas sempre e sómente funcionaram como «guarda-chuvas».  Em África davam  para a chuva e para o sol. 

À frente, reconheço Lúcia Camacho e logo atrás, à dt. ? Alves (filha de Hemitério Alves)



HINO DO COLÉGIO DE MOÇÂMEDES

Meu colégio tão querido
Meu vergel de pomos d'oiro
Meu canteiro preferido
Meu trigal ainda não loiro.

Somos as flores mimosas
Do jardim no areal
Só tu nos guardas viçosas
Do leste sopro do mal.

À frente o mar buliçoso
sempre de lá a acenar
Lá longe, ao largo é forçoso
Querer orar, trabalhar.

Bem perto além o deserto
mensagem nova lição
Vive em paz quem é discreto,
Guarda a língua e o coração.

Aprendi nos bancos teus
A lição que vou guardar
A Família, a Pátria e a Deus
Ama com amor sem par.

Quando te deixar um dia
Hei-de guardar em meu peito
Esta eterna melodia
De gratidão e respeito!


Ver também AQUI
AQUI 



(video do encontro, em 2008 das ex-alunas com a madre Moita)

Grupo de raparigas à porta do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima: 1945/6

Grupo de alunas e catequistas na escadaria do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima em Moçâmedes  situado  à  numa zona próxima do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim .  Reconheço, entre outras, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

1ªfila- (cima)- ???, Olimpia Aquino, ????,
Ludovina Leitão
2ª fila- ???, Élia Paulo,?, Maria Emilia Ramos
3ª fila- Didi Carvalho, Dina Ascenso, ????? Lurdes Ilha,?

5ª fila- ???, 6ª fila??? 7ª fila ????, Anselmo, ??? Miqueta Barbosa ??
Mangericão
6ª fila-???, Néné Trindade, ???
7ª fila :(sentadas/frente)?, Fátima Cunha, Luzette Sousa, Odete, irmã da Luzette, Orbela Guedes e ??


(Clicar na foto para aumentar)


Na casa onde D. Aline ensinava o catecismo. Moçâmedes. 1949/1950.








Grupo de alunas, mães, senhoras da JIC e da Liga Católica Feminina, catequistas, e irmãs do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, posam para a posteridade junto do pavilhão de madeira de estilo colonial onde a bondosa professora D. Aline ensinava o catecismo. Esta casa, tal como o antigo Colégio ficavam por detrás do antigo campo de futebol, ou seja, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim. (clicar em cima das fotos para aumentar)


 1ª foto

2ª foto

1ª fila. ?Pacheco, ?, Elga, Brás de Sousa, Manuela e Mimi Carvalho, ?.Mitsi Aboim e 2 ª fila. ?,?,?,?, Zézinha Grade, ?,?,?, Fernanda Braz de Sousa; Fernandina Peyroteu; ?; ?; Antonieta Bagarrão (Dédé); ? e Zélia Calão
3ª fila. Gabriela; Calila; ?; Constantina; Carolina Mangericão; ?;?;?;?;?; e Susete Freitas
4ª fila. ?;?;?; Lena Freitas; Fernanda Pólvora Dias; ?; Fátima Cunha; Lizete Ferreira, Celeste Matos;?;Gabriela Miranda;?;?;Madalena Trindade;MelanieSacramento;??
6ªfila.?;?;HéliaPaulo;?;?;Lucia Reis;?;?;?;?

Grupo de alunas antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima junto da mesma casa de madeira de estilo colonial onde D. Aline ensinava o catecismo. Reconheço, entre outras, de baixo para cima e da esq- para a dt.

1ª fila: ( a partir das meninasde blusa e meias brancas): Mimi Carvalho, ???,Maria Amália Duarte de Almeida, Mitsi Aboim, ??, Ribeiro; ???

2ª fila:Geninha Amado, Henriqueta Barbosa (Miqueta), ??, Celeste Matos,?, Lucia Reis,irmã Madalena Trindade (Néné), Lizete Ferreira, Lúcia Reis, ??, Néné Trindade,?, Maria Idália Patrício, Van der Keller, mãe da Mitsi Aboim, madre, prof. D. Aline, prof. Lucilia Rocha, Felicidade Tendinha Trindade? Beatriz Radich?, Alice de Castro, Maria Teresa Ressurreição, ?, Dilia Martins Nunes, Luzete Sousa???, Maximina Teixeira e irmã, ??

3ª fila: ?, Bia Mangericão Luzete Sousa, Julia Jardim, ?, Fernanda Braz de Sousa, Carolina Mangericão, Raquel Martins Nunes, ????? Ribeiro, ??? Aninhas de Sousa, ? Ribeiro, ?? esposa de Luis Piedade ??????, Julia Almeida, Odete Maló de Almeida, ? Trindade, Ana Julia Maló de Abreu, Rita Seixal, Cordália Gavino Dias, ???Rita Seixal, ???? Salomé Inácio, ??? Suzete Freitas

4ª fila: ????????????, ?Duarte.

Cedidas por Nené Trindade e tiradas pela Foto Salvador

27 Outubro 2009

O Cine Teatro de Moçâmedes (vulgo cinema do Eurico),




































Este é o Cine Teatro de Moçâmedes (vulgo cinema do Eurico), situado na então denominada Rua da Praia do Bonfim, em Moçâmedes. Este Cine Teatro, que veio substituir o Cine Teatro Garrett, a bela sala de espectáculos de Raúl de Sousa, situada na Rua Calheiros que fazia lembrar o Teatro S. Carlos de Lisboa com as suas frisas, camarotes e plateia, salvaguardando, é claro, as devidas proporções, acabou por ser demolido para dar lugar à construção da sede do Atlético Clube de Moçâmedes.

Eram
proprietários do Cine Teatro Moçâmedes Eurico Martins, António Pedro Bauleth, Gaspar Gonçalo Madeira e António Nascimento Marques. A sua inauguração teve lugar em meados da década de 1940, com grande satisfação dos moçamedenses que ansiavam por uma sala de espectáculos à dimensão da cidade, na medida em que, desde a demolição do Cine Garrett, passara a ser no salão de festas do Ferrovia, na Rua Serpa Pinto, sob a exploração de Raul de Sousa, o local onde decorriam a sessões cinematográficas, obviamente sem grandes condições de acomodamento e comodidade.

Importa ainda lembrar que no terreno onde foi construído o Cine Teatro de Moçâmedes existiu até à década de 40 um pequeno largo denominado de «Jardim da Colónia», para onde esteve projectado
um monumento aos «colonos» pioneiros, e cuja primeira pedra havia sido lançada em acto solene, mas que nunca chegou a efectivar-se. (veja AQUI)



O Cine Teatro de Moçâmedes foi na década de 50, o grande animador da cidade, a par dos salões de festas do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Náutico (Casino), onde decorriam aos fins de semana animados bailes e matinées dançantes, e dos campos desportivos espalhados pela cidade onde se disputavam renhidos jogos de futebol, hóquei em patins e basquetebol masculino e feminino.

Até ao surgimento
do Cine Esplanada Impala, na década de 1960, era o Cine Teatro de Moçâmedes, a única sala de espectáculos da cidade onde decorriam, diariamente, sessões cinematográficas a partir das 21 horas, e aos fins de semana, também, a partir das 17 horas da tarde. Na década de 1960, a cidade de Moçâmedes, como todas as cidades de Angola, conheceu um significativo crescimento demográfico, e o Cine Esplanada Impala veio colmatar uma lacuna que já se fazia sentir já que a bilheteira da única sala de espectáculos, pelo menos aos fins de semana, sempre esgotava. A partir da mesma década, também o Cine Teatro de Moçâmedes passou a exibir aos domingos à tarde suas sessões, a das 15 e a das 17hs.

Foi neste Cinema, o Cinema da minha infância e da minha adolescência, local de risos e de lágrimas, de apertos de mãos e suspense, que muitos namoricos tiveram o seu início, que muitos noivados se consolidaram, e que, no apagar das luzes, carícias furtivas e beijos adolescentes eram roubados em plena projecção, aproveitando a ausência da luz... num tempo em que seria um escândalo dá-los à luz do dia, e as «meninas» eram ansiosamente guardadas pelas suas mamãs, que mesmo lá de longe nunca deixavam de as vigiar...


Foi neste Cinema, que crianças e adolescentes sentados nas primeiras filas a partir do palco (2ª plateia, a mais barata, enquanto os pais ficavam mais atrás, na 1º plateia, ou nas  frisas do 1º andar, assistiram aos seus primeiros filmes de bonecos animados (Pato Donald, Rato Mickey, Poppey, Branca de Neve e os 7 anões, Cinderela, etc. etc), e mais tarde, a tantos filmes musicais, westerens (vulgo «filmes de cowboiadas»), filmes de pirataria, históricos, românticos, etc. Foi ali que lhes foi dado assistir a filmes que marcaram essa fase das nossas vidas como o Capitão Morgan, o Gavião dos Mares, Zorro, Tarzan, a Múmia, Frankenstein, O Homem Lobo, As Mil e uma noites, a Lâmpada do Aladino, A Máscara de Ferro, David e Golias, Os 10 Mandamentos, Sissi ,a Jovem Imperatriz, E tudo o Vento Levou, Escola de Sereias, etc. etc. Os heróis no ínicio da década de 1950 eram o Errol Flyn, o John Weissmuller, o Tyrone Power, o Gary Cooper, o John Wayne, o Glen Ford, o Alan Ladd, o Clarck Douglas, o Victor Mature, o James Mason, o Humphrey Bogart, o Robert Taylor, o Clark Gable, o Fred Astaire, o Frank Sinatra, etc... As heroínas, eram a Betty Davis, a Elizabeth Taylor, a Ava Gardner, a Olívia d' Havilland, a Ginger Rogers, a Ingreed Bergman, a Dorothy Lamour, a Ester Williams, a Vivien Leigh, a Rommy Schnneider, etc. etc. Aliás, no interior do Cine Teatro de Moçâmedes, enquanto subiamos as escadarias que nos levavam ao 1º andar onde ficavam os balcões e os camarotes (onde ficava a flor fina da cidade), logo os nossos olhos se deparavam com dezenas de fotos de muitos destes artistas que decoravam as paredes laterais, e que funcionaram como autênticos ídolos ou modelos para nossa juventude.

Filmes houve que passaram cujos musicais que os acompanharam marcaram uma época. Foi o caso do Filme ANNA em que Silvana Mangano canta e dança «El Negro Zumbón»
. Recordo-me como de imediato o popular conjunto musical«Os Diabos do Ritmo» incluiu no seu reportório este género musical que todo o mundo começou a dançar com grande habilidade e graciosidade nos bailes e matinées dançantes dos salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Casino. A letra: «Ya viene el negro zumbon, Bailando alegre el baion Repica la zambomba. Y llama a la mujer Tengo gana de bailar el nuevo compass Dicen todos cuando me ven pasar "¿ Dhica , donde vas?" "Me voy a bailar, el baion!"... O ritmo, uma mistura de rumba e baião. Silvana Mangano tem o crédito de cantora, tanto no filme quanto no disco, mas quem canta é Flo Sandon, cantora italiana. A partir desse filme, espalhou-se entre nós, raparigas de então, a moda das calças à Anna, isto, em meados da década de 1950. A música El Negro Zumbón, do compositor, pianista e director de orquestra Perez Prado. foi feita para este clássico filmado em 1951 e dirigido por Alberto Lattuada. Contracenaram com Silvana Mangano, Vittorio Gassmann e Ralf Vallone. Nessa altura a cultura musical brasileira já tinha uma indústria fonográfica poderosa e os seus sucessos invadiam outras culturas, incluindo a nossa, naquele cantinho de África. Interessante foi o êxito que a canção «A namoradinha de um amigo meu», de Roberto Carlos, chegou a alcançar entre os mucubais, povo secularmente impermeável à aculturação. 
 

Na década de 50 os filmes que passavam neste Cinema eram passados pela censura, e muitos eram interditos a menores de 17 anos. Foi o caso do inofensivo «O Monte dos Vendavais.» baseado num romance de Emilly Bronte publicado por volta de 1846 e considerado um clássico da literatura inglesa. Recordo que nesse dia eu própria estava a assistir a este filme na companhia dos meus pais, bem como todo um grupo de adolescentes que neste Cine Clube se encontravam com ou sem família, e fomos pura e simplesmente postos na rua. Isto após termos entrado com bilhetes comprados e apesar do filme estar já próximo do intervalo. Fomos postos na rua porque o filme que estava correr fora, quando já estava a correr, considerado por um elemento da comissão de censura que estava a assistir, impróprio para a nossa idade. O mesmo é dizer, não estava de acordo com os princípios morais estabelecidos pelo Estado Novo para a educação dos juventude. «O Monte dos Vendavais» transportava consigo ideais de liberdade e de independência que era necessário não deixar germinar na juventude de então. E no entanto, não era mais que a história de um casal que no decurso de uma viagem resolve adoptar uma criança que vai suscitar sentimentos antagónicos nos seus dois filhos naturais, ou seja, de afastamento humilhação, ódio e ciúme, e de aproximação e amor platónico, redundando num enredo trágico tipo Romeu e Julieta, passado na época vitoriana. Em contrapartida, para a mesma comissão de censura, não havia mal algum com  em que as crianças vissem filmes onde  americanos massacravam matavam índios ou cristãos eram impiedosamente atirados às feras... Quanto à devolução do dinheiro do bilhete, é claro, reclamámos e recebemos de volta.

Nesse tempo não eram exigidos à entrada os bilhetes de identidade, o que facultava aos jovens adolescentes e sobretudo às raparigas  que amadurecem mais cedo, a possibilidade de, através de uma toilette mais senhoril, enganarem o porteiro, que na dúvida, não se atrevia a não as deixar entrar.


Recordo ainda outra faceta das sessões de domingo à tarde no Cine Moçâmedes. A estas sessões, às quais chamávamos à boa maneira francesa de matinées, acorriam muitas crianças e adolescentes e alguns africanos, na maioria criados domésticos que, para pagarem o mínimo possível ficavam nas últimas filas da 2ª plateia, junto do palco. Quando corriam os western's, era vê-los a todos, betenso palmas de euforia quando aparecia a 7ª cavalaria a defender as caravanas que estavam sendo atacadas pelos índios, ou então, escondendo as cabeças, indignados, para não verem quando os índios tiravam o «escalpe» aos brancos e faziam destes trunfos de guerra. E quando tocava para intervalo era ver os miudos a correr aos gelados (sorvetes), aos caramelos e aos rebuçados no bar do Cinema ou ao Quiosque do Faustino, ali perto, onde de tudo vendiam, rebuçados, bombons, ginguba (amendoins) , tremoços, gelados, carbocidrais, cocopinhas, etc. Mais tarde, a alternativa, era o café Avenida que ficava ali mesmo ao lado.

Em Moçâmedes havia a prática por parte de alguns rapazinhos mais atrevidos das entradas à «boleia» nas sessões cinematográficas, passando despercebidos do porteiro, ou  mesmo pulando a janela lateral, quando não eram agarrados pelos vigilantes e postos fora.
Mas logo que se recompunham do susto, lá estavam eles  de novo pontos para repetir a façanha. Eram normalmente crianças cujos pais não podiam dar-se a esses luxos, mas cuja vontade de assistir era enorme. A respeito de «boleias» quero registar aqui o nome de uma benemérita senhora de Moçâmedes, Dona Aninhas de Sousa, esposa de Raúl de Sousa (ex-proprietário do antigo Cine Garrette), e mãe do Raúl de Sousa Junior (Lico) que foi vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes,  cujo nome ficou ligado ao Parque de Campismo da cidade. Como acima referi, quando da demolição do Cine Garrett, Raúl de Sousa alugou o salão do Ferrovia onde fazia passar as suas sessões cinematográficas. Ora, a benemérita esposa, Dona Aninhas, nunca faltava a uma sessão, e a garotada sabendo disso, concentrava-se à porta do Ferrovia à sua espera e lá entravam todos acobertados pela piedosa senhora.

Mas no Cine Teatro de Moçâmedes não se realizaram apenas sessões cinematográficas. Ao seu palco subiram peças de teatro, actos de variedades, espectáculos de revista à portuguesa, teatro de comédia, espectáculos de bailado, etc. etc. Ali cantaram Alberto Ribeiro, Tony de Matos, Horácio Reinaldo, Luís Piçarra, Marisol, Carlos do Carmo, Trio Odemira, Duo Ouro Negro, Nelson Ned, e tantos outros grandes cantores que o tempo não deixa recordar. Ali actuaram o Orfeão Académico de Coimbra (que de visita a Moçâmedes fizera uma serenata nas escadarias do Palácio da Justiça -Tribunal), o Humberto Madeira, o Octávio de Matos, etc.

Alí coristas vindas da Metrópole apresentaram os seus shows, ali declamou o grande
João Villaret, e na década de 50 decorreram os animados «Programas da Simpatia» patrocinados pelo Rádio Clube de Moçâmedes e pelo grande radialista, Carlos Moutinho, onde não faltavam concursos vários, de canto, de dança, testes de conhecimentos gerais, etc. etc. Ali tantas vozes da terra se revelaram, como a maravilhosa voz de Nélinha Costa Santos (soprano) entoando Avé Maria de Schubert (2ª foto/foto Salvador); Fernanda Braz de Sousa (música clássica); Mário Cantor (Canções ligeiras como «Amor dou-te o meu coração...» que foi um autêntico sucesso); Maria Lídia com a sua voz melodiosa, em dueto com José Manuel Frota; Maria José Camacho entoando a canção «Moçâmedes nasceu à beira mar...» outra de grande sucesso na cidade; Adriano Parreira (tenor), Jerónimo Ribeiro (tenor); José Patrício; Armando Duarte de Almeida (fados de Coimbra); Lena Rocha, menina ainda, mas já com uma voz forte e bem timbrada com o seu «Calhambeque», ou seja de Roberto Carlos, e tantas outras vozes cujos nomes não consigo recordar . E ainda, o «Grupo Boa Vontade» com Dina Chalupa, o grupo de dança rítmica e ballet de Mme Sybleras, sem esquecer as festas e teatros dos estudantes finalistas, os desfiles de vestidos de chita e trajes de Carnaval .

Mas este Cine Teatro também teve os seus momentos tristes; e o pior aconteceu com a grande tragédia que abalou o nosso pequeno burgo, quando num fatídico dia em que decorria o filme «Amanhã será tarde», a casa dos filmes, no 1º andar, começou a arder após uma explosão, e apanhou algumas pessoas pela frente, projectando outras pelas janelas fora. Morreram bombeiros, morreu Jorge Madeira (sobrinho do industrial e comerciante, Gaspar Gonçalo Madeira), jogador de futebol do Benfica e defesa central da selecção de Moçâmedes. Jorge nem sequer tinha ido ao Cinema. Tinha regressado de um treino, e ao passar junto ao Cine Moçâmedes foi apanhado quando alguém na bilheteira lhe pediu um lenço para se proteger do fumo. Foi precisamente no momento em que acabara de entregar o lenço, quando se volta de costas, que uma grande explosão fez a casa das filmagem ir pelos ares, e arrastou-o consigo. As queimaduras e os danos que Jorge Madeira sofreu foram de tal ordem que veio a falecer oito dias depois. Nessa explosão Dina de Sousa Chalupa, a concorrente feminina que ficou conhecida pela sua particpação nos 1ºs. rallies das Festas do Mar,
participou em várias provas automobilistas, na década de 1950, em Moçâmedes, e mãe dos dois conhecidos hoquitas, foi projectada também foi pelos ares e não morreu por um triz.

Outro acidente tinha ali acontecido nos primeiros tempos do Cine Teatro de Moçâmedes, quando ainda funcionava com um gerador de electricidade houvera ali um acidente, em que um dos proprietários, Eurico Martins, perdeu um braço, apanhado pela correia do mesmo gerador. O casa onde nessa altura estava alojado o dito gerador ficava ali mesmo ao lado do Cinema, e com a chegada da electricidade à cidade acabou por ser demolida e dar lugar ao novo e moderno edifício onde, nos finais da década de 50 se instalou a Pastelaria Avenida.



Nos anos 60 surgiu uma segunda casa de espectáculos em Moçâmedes, o Cine Esplanada Impala, propriedade de que eram sócios Norberto Gouveia, Artur Pinho Gomes e ?..., e veio fazer concorrência ao Cine Teatro de Moçâmedes, mas mais no Verão, pois as noites de Inverno em Moçâmedes, sobretudo no mês de Junho, Julho e Agosto eram geladas, e o Impala, com a sua arquitectura neo-modernista de espaços abertos e ao ar livre, tornava-se um lugar desagradável levando a que muita gente preferisse o «veterano» Cine Teatro Moçâmedes, o popular Cinema do Eurico...


Não poderei deixar de referir aqui que este Cinema foi palco de um animado comício político aquando da campanha eleitoral de Humberto Delgado. Estava-se em plena ditadura salazarista, numa época em que as anteriores candidaturas da oposição eram forçadas a desistir por força das pressões e perseguições decorrentes da próprio regime e da falta de condições para a liberdade da votação. Foi o caso do general Norton de Matos, de Arlindo Vicente, etc., não foi o caso de Humberto Delgado. A candidatura do general Humberto Delgado despertou em todo o país um enorme entusiasmo, e tornara bem evidente o descontentamento que pairava em relação à política do Estado Novo. Mariano Pereira Craveiro, o empreendedor presidente da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe» (2) era um republicano de raiz maçónica, oposicionista do regime, e fez parte, juntamente com Carlos Martins Cristão e outros moçamedenses, da campanha a favor do General Humberto Delgado nas eleições presidenciais realizadas no ano de 1958 contra o Almirante Américo Tomás. Recordo ainda o discurso arrebatador proferido por Carlos Martins Cristão que, sentado ao lado de Pereira Craveiro, junto a uma mesa colocada no palco do Cine Teatro de Moçâmedes, com a sua forte e bem timbrada voz dizia, referindo-se ao regime vigente: «Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...». Em Moçâmedes, Humberto Delgado teve 665 votos, e Américo Tomás, 790. Escusado será dizer que os resultados oficiais das eleições deram a vitória ao candidato Américo Tomás, que se foi mantendo na Presidência da República até 1974. De facto a candidatura do General Humberto Delgado motivou uma forte mobilização da oposição em Angola tendo-se aqui registado a única vitória distrital do general em todo o espaço eleitoral, quero dizer, em Benguela, com 2599 votos contra os 1296 de Américo Tomás. O general Humberto Delgado o “General Sem Medo” contestou as eleições e afirmou sempre a sua vitória. A sua derrota foi atribuída à viciação dos cadernos eleitorais e ao não controlo das urnas de voto pela oposição. A sua ousadia viria a custar-lhe a vida, anos mais tarde, quando, caindo numa cilada, foi assassinado pela Pide no dia 13 de Fevereiro de 1965, em Villanueva del Fresno, Espanha.


Mais que uma forma de lazer ou de evasão ao fim de cada semana de trabalho, o Cine Teatro de Moçâmedes, tal como todos os Cines do mundo, deu o seu contributo para a mudança ao nível das mentalidades que se verificou no pós última Grande Guerra. Moçâmedes era uma cidade onde os modelos se mantinham perenes e onde nada de novo costumava acontecer, pelo menos até ao início da década de 1950 . A máquina dos sonhos contribuiu para uniformizar os corpos moldar espíritos, generalizar tipos de comportamentos, estilos de vida, posturas, modas, penteados, etc. E ao impôr modelos, moldou até os próprios sonhos dos espectadores...


O Cinema foi ainda utilizado como arma de guerra durante a 2ª Guerra Mundial, como poderoso meio de difusão de modelos sócio-culturais e de padronização de comportamentos. Veículo de propaganda política e de impregnação ideológica dos regimes ditatoriais da Europa, o Cinema teve papel fundamental na política e na formação da opinião pública, ao manipular censura, propaganda, crítica reprovadora de alguns comportamentos sociais ou regimes políticos. Recordo como os documentários que abriam as sessões de Cinema veiculavam a propaganda do Estado Novo. Mas o Cinema também serviu de meio de instrução .Todos aprendíamos algo de novo em cada sessão, os mais cultos e os menos cultos, e neste caso contribuiu para reduzir a diferença de conhecimentos entre pessoas instruídas e as não instruídas, proporcionando ainda, à população em geral, programas culturais que de outro modo lhe estariam interditos.


Através da 4ª foto podemos verificar a grande afluência que tinha o Cine Teatro Moçâmedes numa tarde de domingo.   Os sábado e  sobretudo os domingo, dia de descanso, era um dia em que toda a gente,  homens , mulheres e crianças vestiam o seu fato novo, exibiam  a sua nova toilette, e caprichavam com o seu belo penteado acabadinho de sair dos salões da D. Carlota ou da Adelina Chibante.  Aliás no interior do próprio Cine Teatro de Moçâmedes houvera em tempos mais atrás uma cabeleireira, de nome Zuleika, que funcionava numa pequena sala improvisada, mesmo ali juntinho à casa de banho das senhoras.


Na década de 60 este Cinema passou a proporcionar duas sessões domingueiras, em matinées, para além da soirée. E foi sempre assim , um Cine muito concorrido até uns meses antes independência de Angola (11 de Novembro de 1975), quando começou a ponte aérea para a Metrópole e com ela, deu-se a debandada geral da população moçamedense de origem europeia.



Quando se deu o 25 de Abril em 1974, e começaram as conversações para a independência de Angola, um novo Cinema já estava em fase adiantada de construção e não iria faltar muito tempo para ser inaugurado. Era uma sala de espectáculos de arquitectura neo-modernista, mas, ao contrário do Cine Esplanada Impala, era bastante fechada, e ainda hoje se encontra por acabar, mais de 30 anos após a independência de Angola. Esta nova casa de espectáculos, que creio pertencia dos mesmos proprietários do Cine Teatro de Moçâmedes, está situado por detrás dos modernos edifícios públicos que naquele tempo se encontravam ocupados pela Associação Comercial, as Repartição de Finanças e o Governo do Distrito, na então Avenida Felner, avenida sobranceira ao mar que faz a ligação entre a parte baixa da cidade e a Torre do Tombo.

Estas são recordações de um tempo que já lá vai e não volta mais, tempo da minha juventude, de gente saudável e irrequieta, cujas memórias venho procurando neste blog registar. E só faz sentido fazê-lo, porque como tantas outras, na imensa Angola daquele tempo, fomos uma comunidade que num repente se esfumou, e que dela, hoje dispersa pelo mundo, só restam recordações ténues quando não apagadas, que imagens e textos como este vão ajudando a lembrar...

MariaNJardim
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Ainda o Cine Garrett de Moçâmedes 
Aproveito a oportunidade de colocar aqui  estas imagens de 3 panfletos publicitários que nos tempos do Cine Teatro Garrett de Mossãmedes, o Cine já acima referido, foram distribuidos pela cidade de Moçâmedes, por volta dos anos 30/ inicios de 40,  publicitando algumas peças  de teatro e actos de variedades, de Companhias que visitaram a cidade. São as seguintes as peças e actos:  «O Cão e o Gato»;  acto de variedades com a colaboração da orquestra ? de Lisboa.; Tirolilo . Esta última acabaria por deixar no ar uma cantiguinha que chegou aos meus tempos de criança, e  cuja letra era mais ou menos assim:


Cá em cima está o tiro-liro
Lá embaixo está o tiro-liro-ló
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
E a dançar o sol e dó. ...











22 Outubro 2009

Gente de Moçâmedes: Adelaide Castro Jardim e família: 1950


















Em dia de passeio à Hortas. 1950. Adelaide Castro Jardim, ao centro junto do filho Manuel Jardim e da neta Céu Jardim Martins. À dt., a filha Ester Jardim Baptista e marido.
À frente, da esq. para a dt.: Os netos Dindo e Baptista, o filho Carlos Jardim, e o neto Tony.

Adelaide de Castro Jardim era casada com Manuel da Silva Jardim, (natural de Sá da Bandeira, filho de João da Silva Jardim e de Maria Augusta Fernandes). Desta união nasceu em Moçâmedes uma vasta prole
: Manuel, Ester, Horácio, Laura, Adelaide, Celeste, Carmen, Mariazinha, António, Júlia, Carlos e Álvaro.

Fica aqui mais uma recordação de uma das familias de Moçâmedes.

Gente de Moçâmedes: familia Lopes

















No parque infantil de Moçâmedes:
Da esq. para a dt:
Em cima: Maria Lopes e Florinda Jardim
Embaixo: ?, Justino Lopes e irmã.

21 Outubro 2009

Moçamedenses despedem-se de Porto Alexandre e de Angola: 10 de Janeiro de 1976

















Grupo de moçamedenses posando para a posteridade no dia em que tiveram que abandonar Porto Alexandre (Tombwa), a 10 de Janeiro de 1976. Da esq. para a dt., reconheço: Abilinho Aquino Brás, os irmãos Lopo Duarte, Ricardo Duarte,Fernando Duarte, Lena Duarte, Jorge Duarte, e Helder Duarte (tio).

Assim descreveu Ricardo Duarte (Kady) esse dia:

«
FUGA PARA A "SELVA" EUROPEIA (com breve passagem pelo apartheid)

- Janeiro de 1976, já quase não haviam amigos em Palex - todos se tinham ido embora, de carro, de barco ou de avião. As ruas de Palex, pejadas de mortos. O meu pai tinha que ziguezaguear para não os pisar. Era a caça ao homem. Nós que sempre acreditámos que ficaríamos, escorados nos dizeres do Saidi Mingas (assassinado pelo golpe nitista). O Saidi Mingas e o Kundi Paihama (que vivia em Palex e que era meu amigo) disseram ao meu pai - Sr Duarte, fique porque aqueles que sairem vão ter dificuldades em regressar. Infelizmente o Saidi e o Kundi não tinham razão. Hoje vai mais depressa para Angola um tuga que "não gosta de pretos", tal como os russos (e lá faz o sorriso amarelo para os explorar) do que um genuíno angolano como eu e vós leitores que amamos aquela terra.

Cronologia da "Fuga" de traineira e repatriamento de comboio, autocarro e avião - Janeiro de 1976 » Palex (dia 10) , Saco da Baleia (dia 11), Baía doa Tigres (dia 12), Cunene (dia 13), Walvis Bay (dias 14 a 23), Swakopmund (dia 23), Usakos (dia 24), Karibib (dia 24), Okahandja (dia 24), Whindoek (dia 24), Abidjan/Costa do Marfim (dia 24), Lisboa (capital da Selva, dia 25) .

PS1: ficam por contar os episódios inanarráveis da "Selva" e as catanas que tive de afiar para desbravar mato e sobreviver aqui no Puto, como se fosse um dos exploradores Serpa Pinto, Brito Capelo ou Robert Ivens quando se aventuraram no mato verdadeiro.

PS2: oportunamente ilustrarei alguns destes episódios angolanos neste blog .»


In Kadypress-Angola.blogspot

Esperemos que Ricardo continua a contar-nos as suas memórias...


Nota da autora do blog:

10 de Janeiro de 1976. Cidade Namibe. Na previsão dos graves combates de se avizinhavam entre guerrilheiros da UNITA e da FNLA (vingança da UNITA face a anterior matança de seus guerrilheiros), abandonaram a cidade nesse dia 1600 pessoas no tristemente célebre «Silver Sky», navio de cargueiro (cereais) que se encontrava na baía e, que após ter recebido os fugitivos, rumou para Welvis Bay, de onde estes foram encaminhados para Portugal. De Porto Alexandre a fuga foi em traineiras. E assim chegara ao aquilo que se pode muito bem denominar uma autêntica «limpeza étnica».

Encontra-se em preparação um texto ilustrado sobre a fuga dos moçamedenses no «Silver Sky». Se alguém quiser colaborar com relatos e fotos, é este o contacto: jardim.n@gmail.com

MariaNJardim

13 Outubro 2009

Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955.

















Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955. São eles, da esq. para a dt.: Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Amilcar de Sousa Almeida, Albino Aquino e Carlos Vieira Calão. 1953.

12 Outubro 2009

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50



1ª foto: Uma das primitivas fotos do conjunto musical «DIABOS DO RITMO» abrilhantando um dos muitos «Reveillons» decorridos na década de 50 no salão do Atlético Clube de Moçâmedes (1953)

Da esq. para a dt.: Albino Aquino (Bio) ao acordeão, o professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva, ao piano, Albertino Gomes (bandolim), Frederico Costa (baterista), Jaime Nobre (violão).

2ª foto: Mais um foto dos famosos «DIABOS DO RITMO», esta de 1954, gentilmente cedida por Neco Mangericão. Nesta foto encontram-se, da esquerda para a direita:
1. Marçal (saxofone) ;
2. Lito Baía, (violão e acordeão);
3. O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino);
4. Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones);
5. Cerieiro , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos);
6. Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos);
7. Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão).

Faltam aqui o Bio Aquino (na altura estava a cumprir o serviço militar). Esta foto também foi tirada num Reveillon no famoso salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes.

Sem dívida, figuras inesquecíveis para quem teve a sua juventude na década de 50. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria! O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os bailes aos sábados à noite e as matinées dançantes nas tardes de domingo nos Salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino). Os bailes prolongavam-se pela noite fora até ao raiar do dia, e as matinées dançantes, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas.

A propósito, este excelente conjunto musical tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das raparigas deslocando-se para tal em camionetas, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e ajudavam o côro.

Na 2ª foto, do casal em 1º plano, conheço Amaral que era proprietário em sociedade com o irmão mais velho (que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica) de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade).


Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes, gente que de um dia para o outro deixamos de ver e que deixaram laços em nossos corações.
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MÚSICA LATINO-AMERICANA

Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,

nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…

Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…

Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…

Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.

Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…

Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?

NECO MANGERICÃO.
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Povos do sul de Angola: os Humbi-Nhanhekas

Aspeto típico da região

Este texto é extraido de um email do meu querido amigo angolano, Manuel Ferreira Duarte de Sousa. Um homem que dedica grande parte da sua vida ao povo de Angola, em assistência social, médica. Um exemplo para todos e um estímulo a que sigamos os seus passos onde quer que nos encontremos nesta Terra.

Os Humbi-Nhanhekas, onde se dizem incluir Muilas (uns pronunciam Mumuilas) e os Mucubais, parentes próximos uns dos outros, ainda andam por ai de saúde e com suas cabeças de gado a pastar.
Ainda não ha muitos meses, eu próprio estive na região entre a Huila e o Cunene, na Cahama (onde houve grandes, violentos, destruidores e determinantes combates entre as tropas invasoras e ocupantes da África do Sul, Cubanos e Angolanos) e no Otchinjau (zona ocupada pelos invasores/ocupantes Sul-Africanos) e no Okavalalu (onde os Cubanos se concentraram antes da retirada para o Litoral e para Cuba), participando como voluntário pelo Rotary Club de Luanda e pelo Rotary International (do qual – do primeiro – sou atual Presidente desde 1 de Julho passado), e onde a luz ainda não chegou e as estradas são picadas precárias e cheias de pedregulhos e irregularidades, incirculáveis no tempo das chuvas, cuja correnteza as corta em diversos pontos), à imagem do que tenho feito no Kuando Kubango, Malange, Luanda, e outras, e ali ainda são vividos com grande pureza, os costumes e hábitos destes povos, cujos homens, sobretudo do Nhanhekas do Cunene, o cavalo ainda e um elemento fundamental na pastagem dos bovinos.
Felizmente saúde não lhes falta


A particularidade esquelética compleição física destes e evidentemente diferenciada de outros Povos Bantus, quiçá, por breves momentos e à medida que deles estamos próximos, que usualmente são de uma elegância e altura acima da média, tendo cabelo farto e até usando suíças, bigodes e até barbas bem postos e aparados (quase com um aspecto Europeu), nos fazem lembrar os Egípcios, assim como o seu gado, que é constituído por bois grandes e de largas e fartas hastes cornudas, que muito recorda em semelhança e aspecto, aqueles que são desenhados nos afrescos egípcios.

Habitação de uma família


Alem disso, são exímios cavaleiros, não usando aparelhos de montagem (sela), e simplesmente usando uma corda como arreio na cabeça do cavalo, que montam com uma destreza impressionante, podendo acertar num pequeno objeto no chão, com uma flecha e trotando em certa velocidade (dariam bons jogadores de polo, com certeza). Ainda levam um porrete e por vezes uma machadinha, arco e flechas, uma faca afiada (punhal tradicional tribal) com cabo de osso ou corno, muito semelhante aos usados pelos Kuanhamas, também do Cunene (região que vai de Xangongo, onde fica a Prisão do Peu-Peu e onde podem ser encontrados os Imbondeiros mais largos do Mundo, até a Ondjiva/Santa Clara, uma a Capital do Cunene e a outra perto na Fronteira – os Povos da Namíbia e de Angola são parentes, sobretudo neste ultimo caso, onde o relevante Rei Mandume, também é respeitado pelos restantes Povos Ovibambos do outro lado da fronteira -. O Primeiro Presidente da Namíbia, Sam Nujoma pertence à etnia Ovivambo também.)
Estes Nhanheka, usam simplesmente umas peles de bovino ou caprino, nas partes intermédias do corpo, usualmente andando de tronco nu, a não ser que esteja frio, altura em que usam casacos e anoraques normais, como toda a gente. As Mulheres usam lamas e esterco animal como cosmética e proteção do cabelo e da pele, em algumas circunstâncias, misturados com leite e com seivas de árvores e ervas, etc. Quase todas andam ainda com a parte do tronco desnudado e descalças ou com sandálias tradicionais feitas de coro bovino, usando um saiote no ventre, feito de peles de vaca ou boi. Usam ainda colares de contas de madeira, de capim seco trabalhado e miçangas. As Mucubais, na área desértica e semi-desértica do Namibe/Mocamedes, serram os dentes da frente em "v", para melhor trincar/trinchar os alimentos e usam espirais de latão/cobre à volta da parte baixa das pernas, junto ao tornozelo até à barriga das pernas. Este e um símbolo para Mulheres casadas e com filhos ou não. As Mucubais chegam a vir a Luanda, para comercializar um produto vegetal para o cabelo (diz-se que faz crescer e restabelece a saúde do cabelo) e para a pele, de cor preta e com um cheiro ativo, chamado Mupeque. Há quem o use misturado com bronzeador como proteção solar.
Ainda não ha muito tempo, elas circulavam pelas Ruas de Luanda, a quase mil km de onde usualmente vivem de forma tradicional, com os seios livres e à vista, tendo aos poucos, as autoridades forçado a que usem sutiã e panos para cobrir essa parte da nudez.


Olhem este "fofo" !

Vinham e continuam a vir à boleia em camiões, e costumam andar em grupos de duas a mais Mulheres, estando algumas já adaptadas às ruas de Luanda e à língua portuguesa corrente de Luanda.
Segundo dizem, estes Povos praticam o alongamento dos lábios vaginais e do clitóris, ao invés de o extorquirem/cortar, como acontece com outros Povos de Angola, para que as Mulheres possam ter maior prazer sexual, podendo estas Mulheres ainda, por costume, gozar de uma alargada liberdade sexual, podendo acasalar com outros parceiros, para além do Esposo, por vontade deste ultimo, que as pode oferecer a uma visita ou amigo, portanto, em sinal de cortesia, ou por vontade das próprias, quando fora do ambiente tribal e em circunstâncias deslocação. Aparentemente, não existe o conceito de traição marital (adultério) propriamente dito, havendo outras regras de conduta tradicionais, não querendo isto dizer também, que as Mulheres dessas Tribos sejam por completo permissivas e dadas a prazeres pelo simples toma lá da cá.
Quando os vi pela primeira vez em seus ambientes costumeiros e naturais, com suas casas cercadas de espinheiros e de algum do gado (eles não vivem em aglomerados ou aldeias), veio-me à mente, a grande expedição organizada pelo Grande Faraó Ramsés, enviada ao Coração e Oeste e Sul de África (Grandes Lagos), para essencialmente descobrir e explorar a Foz do Nilo, Rio que sempre foi a grande fonte da Vida no Egito e que ele achou conveniente dominar e conhecer melhor, talvez como medida de proteção e também de conhecimento, tendo essa expedição/exército, juntos com seus milhares de cabeças de gado/logistica, nunca mais regressado à base/origem, por diversos fatores adversos, segundo se conta, uns por ataques/emboscadas/confrontos com tribos estranhas ao longo do caminho, por perca de direção/desorientação/revolta, ou simplesmente, por desistência/deserção/dispersão, etc, suspeitando-se que muitos dos elementos, ou de forma organizada ou desorganizada, fixaram-se em lugares de grande fertilidade ou em novas zonas ainda desconhecidas para os Egípcios e para outros Povos (bantus) de Africa).

Cada Pai ou Chefe de Família, tem as suas paliçadas de espinheiras para o gado vário, constituido de bois, burros, carneiros, cavalos, e outras para os cereais (Massango, massambala e variavelmente, algum milho, que constituem sua alimentação base na forma de farinha misturada com leite azedado/chocalhado numa cabaça, alimento muito forte e que tem que se ter um estomago habituado, porque pode causar lesões estomacais, por dificuldade de digestão, para quem e de fora daquele ambiente e hábito.) e aquelas onde ficam a casa principal e alguns silos e capoeiras, no centro de tudo isso.
As restantes casas e cercas dos filhos ou parentes, ficam habitualmente num raio de 1km de distancia em redor do habitat do Pai ou Chefe Familiar, e equidistantes uns dos outros, formando núcleos familiares discretos (filhos, Pais e Irmãos). Outros Grupos Familiares de irmãos dos Pais, ficam invariavelmente um pouco mais distantes, agrupando os filhos respectivos nas cercanias, mas mantendo sempre a distância adequada, supostamente, para que cada elemento possa ter espaço suficiente para que seu gado individual paste em liberdade (e muitas vezes sem a presença do pastor) sem interferências de gados alheios.
É interessante ver logo pela manhã e a meio da manhã, e um pouco depois, lá mais para à tarde, bois, cavalos, burros, carneiros e ovelhas, irem isolados ou em pequenos grupos, diretos aos poços/bebedouros (que até não existem muitos, por ser esta uma região meia seca e Arida, com arvores de médio porte e espinheiras por todo o lado, lembrando muito o Alentejo e certas Regiões da Califórnia), onde à vez e em ordem, cheios de paciência, vão bebendo civicamente à medida que chega o seu turno para beber. Assim que bebem, lá vão eles de volta aos seus locais de origem, para mais tarde, irem por si, ou por condução/indução de pastores, de volta à recolha e à salvaguarda de seus estábulos improvisados nas cercas de espinheiras respectivas. Muito difícil será de alguém se apropriar, desta forma, do gado alheio, pois, por instinto ou por algum senso consciente de orientação, todos os animais, a não ser por engano, ou por serem novos, regressam/recolhem-se à tardinha aos seus respectivos proprietários/cercas. Quando se vê a ordem com que esperam a vez para beberem, e com a variedade de animais que se aglomeram na espera, até relembra uma espécie de reunião de animais para a Arca de Noé, onde não são muito comuns incidentes ou a empurra-empurra da impaciência, que se vê usualmente nas concentrações de seres Humanos, ou nos cruzamentos não sinalizados ou em engarrafamentos de transito automóvel, futebol, etc.
Espero ter conseguido aqui em uma duzia de palavras, sido capaz de traduzir um pouco da imagem ainda atual dos Povos de Angola, sobretudo, dos aparentados ao Grupo Étnico dos Himbas, da Namíbia.

Fotos de Francisco Giner Abati, antropólogo e profesor de la Universidad de Salamanca