07 Novembro 2011

O maravilhoso DESERTO DO NAMIBE, em Moçâmedes, Namibe, Angola...

 Junto a uma welwitschia no Deserto do Namibe. Foto cedida ao grupo Moçâmedes by Nhuca



NAMIBE

Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.

Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.

Namibiano Ferreira




Quem sai de Moçâmedes em direcção do Deserto, a cerca de 9kms da cidade, começa por encontrar uma extensão considerável povoada com a célebre planta milenar, a Welwitschia Mirabilis, planta disforme de folhas fibrosas, longas, rijas e achatadas, verde escuras, por vezes verde-alaranjadas, quando já em pleno desenvolvimento., que atingem alguns metros de comprimento e uma largura que muitas vezes ultrapassa também 1,m00, em determinados pés.

Esta  espécie vegetal considerada única no mundo, habita o Deserto do Namibe, considerado  o mais antigo deserto do mundo, numa zona que se estende entre Angola e o Sudoeste Africano, actual Namibia, permanecendo em condições áridas ou semi-áridas  há pelo menos 55 milhões de anos, entre desertos escaldantes e leitos de rio desesperadamente secos...



TENACIDADE

Aberta ao infinito árido sem tempo,
a Welwitschia é um poeta ermo e solitário
aspirando a Vida escassa em cada missanga húmida
pérola minúscula de cacimbo luz e cristal.

Namibiano Ferreira


 Origem da foto ALIM

«Deserto do Namibe, perante ti sentimo-nos como vermes! - disse alguém ao tomar contacto pela primeira vez com a sua solidão, monotonia, aridez, miragens e imensidão incomparáveis! "in caderno/programa das Festas do Mar- Moçâmedes Março-1970
 
Mulher da tribo mucubal caminhando pelo deserto, então coberto por capim...


Na estrada para Porto Alexandre (Tombwa) pouco depois do local denominado "Buraco", a cerca de 60 km da cidade, inflectindo na direcção do Cabo Negro, podemos apreciar algumas Welwitschias bastante desenvolvidas, contudo as mais surpreendentes quanto ao porte ficavam para os lados da Damba dos Carneiros, a 115 km de Moçâmedes, já a caminho da foz do rio Cunene.
 

Welwitschia Mirabilis 


Welwitschia de longos braços
Que vive e nasce aos abraços
Que vive e morre em tormento.
Por tanto amar o deserto
Por tê-lo perto, tão perto
Num amor sem casamento.

Concha Pinhão

 

Welwitschia Mirabilis 


Planta rara, do mais alto valor científico,  que escolheu o Deserto do Namibe para seu habitat, a  Welwitschia mirabilis   vegeta em grande quantidade, numa zona que vai desde as proximidades de S. Nicolau até à foz do Cunene, e cerca de 80 km para o interior, a partir da linha do mar, entre as coordenadas 14º e 30´, e 17º e 20´ de latitude sul; e 11º e 40', e 12º e 30' de longitude leste. Penetra o antigo Sudoeste Africano, a Damaralândia onde aparecem alguns exemplares, mas pouco desenvolvidos e em pequena quantidade.
 





Inflorescências femininas

                                                                      
                                                                  Inflorescências masculinas




Faz parte das gimnospermas, portanto uma planta primitiva, do período Jurássico, como os pinheiros. Mesmo vivendo nesta região, com uma área de cerca de 50 000km² de aridez extrema, a Welwitschia, também conhecida como n’tumbo pelos povos da região, consegue captar a água do orvalho e do nevoeiro proveniente do Oceano Atlântico, distante a menos de 150km, através de suas folhas.É uma planta rasteira, suculenta, de caule lenhoso e folhas em forma de fita larga que continuam a crescer durante toda a vida da planta, e podem atingir mais de dois metros de comprimento.
Durante o dia, as folhas mantêm os estomas foliares fechados, impedindo a transpiração, mas à noite eles abrem-se, para absorver o dióxido de carbono, necessário à fotossíntese. Tudo isto é para suportar temperaturas de 60° na sombra e uma umidade ambiente baixíssima. É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos.
Antílopes e rinocerontes alimentam-se do suco das folhas durante o período de seca total. 

Esta espécie foi baptizada a partir do nome do Dr. Friedrich Welwitsch, que contribuiu para o conhecimento desta e de muitas outras plantas de Angola. Devido às suas características únicas, é considerada uma espécie ameaçada.



VELVÍTCHIA

Mora a velvítchia no emo solitário,
A flor de Angola, dum areal do Sul,
Braços coleantes, sob céu azul,
Á flo da sede, em prece, num calvário...
A estranha raridade vegetal
Será, talvez, num velho mar extinto
Um polvo exótico o a flor do mal,
Vencendo a morte, no vigôr do instinto...

Será, talvez, no cálido deserto,
Uma estrela cadente que tombou
Da convulsão da noite, em céu aberto,
ou a alma dum aspro que expirou...

Seja o que for - estrela, monstro,flor -
Eu sinto-lhe nos braços revoltados
A trágica expressão da imensa dor,
talvez, de belos sonhos destroçados...
E eu penso que a velvítchia exilada
No seu mundo de sede e solidão,
É irmã de tanta alma torturada
Que anda sózinha em meio da multidão...

(José Galvão Balsa)

De «Feitiço do Namibe»




 
O Arco do Carvalhão, um espetáculo da natureza.



O Arco

Partindo de  Moçâmedes/Namibe em direcção  ao sul, lá para os lados de Porto Alexandre/Tombwa, após uma longa caminhada em maio à aridez do deserto, ao aproximarmo-nos da margem direita do rio Curoca, em frente à fazenda de S. João do Sul, deparamo-nos com este singular Oásis. Um local estranho que nos faz sentir em um outro planeta, pelos constrastes que nos oferece aos sentidos.  A Natureza tinha esculpido um arco natural com dois grandes orifícios, numa das rochas da montanha, o que nos permitia visualizar a lagoa tanto de um lado, como do outro. Um trabalho de arte de indiscritível beleza!  Lá dentro, a lagoa, os nenúfares flutuando na sua superfície... A temperatura ali é o oposto do calor do deserto.  

O Arco é uma magnífica formação rochosa natural onde se respira um ambiente de silêncio, paz e calmaria. As rochas sedimentares mostram o que terá sido esta zona há milhões de anos atrás: um braço de mar ou talvez um lago marinho que progressivamente teria secado em consequência da acção do sol que se abate sobre o deserto, da carência de chuvas, e dos ventos que secularmente as vem fustigando e desgastando...



 A Lagoa do Arco



Neste Oásis conheciso pelo Oásis das três torres, fica o maior lago do mundo num deserto. É um pequeno mar.  O rio Curoca é um rio seco, tipo rio de enxurrada, que só transporta água no período das chuvas, que ocorrem de Outubro a Maio e que normalmente revive entre Fevereiro e Abril. As chuvas que o fazem transbordar com águas barrentas e furiosas, não caem no deserto mas a centenas de quilómetros, nas terras altas da Huíla. O deserto aperta o rio que aqui consegue espraiar-se e formar um lago de grandes proporções quando as chuvas são mais pródigas. Como um pequeno Nilo permite a agricultura nas suas margens.




 A Lagoa do Arco no seu esplendor. Os nenúfares em pleno deserto...


A Lagoa, com os belos e elegantes flamingos que por ali campeiam,  a vegetação aquática e a profusão de nenúfares que sobressaiem do seu  azul esverdeado quando chuvas esporádicas alimentam o caudal do rio Coroca que lhes dá força e vida,  é algo a que ninguém pode ficar
indiferente.


 


 Oa flamingos



Omauha Lodge.  Foto daqui

 A cerca de 150 Km a sul da Cidade do Namibe, na estrada que liga esta localidade ao Parque Nacional do Iona à Foz do Cunene e Posto fronteiriço de Calueque, no limite com a Namíbia,  surge ao viajante actual um pequeno lodge com cerca de 5.000h, totalmente vedado,  virado para a preservação de algumas espécies de animais selvagens em vias de extinção (como é o caso da zebra montanha), e para a criação de outras espécies que outrora habitaram esta região, bem como para permitir às pessoas desfrutarem de tours pelo Deserto e da companhia de cerca de 300 de animais de diversas espécies: gazelas elegantes,  guelengues masjestosos,  punjas, babuinos, avestruzes e a passarada que assim vão aguentando as agruras da seca, guardando energias, lutando pela vida. 



Junto da "gruta" desfrutando do aquecimento de uma fogueira...

Omauha (pedra em dialecto regional) fica situado numa região de características sub-desérticas de paisagens planas entre grandes maciços graníticos, fornece  apoio ao turismo, organizando visitas ao deserto,  contactos com a tribo Mucubal e Himba,  às pinturas rupestres às nos referiremos a seguir, a construções de interesse arqueológico, à  welwitchia mirabilis, ao oásis e águas termais, organiza safaris fotográficos no Parque Nacional do Iona com destinos diversos e tours ao rio e Foz do Cunene, ao longo da costa e dunas, para além de organizar momentos de pesca e caça submarina. Neste lodge o visitante pode fazer uma paragem para descansar, ou junto a ele erguer suas tendas, bem como  para uma pequena refeição ou  para petiscar e confraternizar num restaurante  que é uma caverna no interior de uma pedra d que se apresenta cada vez mais
 "sofisticado".  Pode desfrutar de um olhar para a multidão de estrelas que à noite brilham na negritude do céu  e parecem vir até nós, bem como aquecer-se, virar as costas ao frio em frente a uma fogueira... para na manhã seguinte partir para um safari, para ver orixes, cabras de leque, avestruzes...

Um acampamento
No interior da  "gruta" em amena confraternização
 
 Hoje, no interior desta enorme pedra funciona a sala de refeições e de estar.Ver AQUI

Alguns testemunhos...                    

"...Não sei se era mar ou rio, que milhares de anos antes por ali andava nas correrias de menino, o certo é que deixou marcas das traquinices de então. A sala de refeições é uma caverna, parece que talhada a escopro, mas não, foi o tal de mar ou rio que assim fez....água mole em pedra dura...o quarto também aproveitado em pedra oca e outro ainda também. Pedras, calhaus rolados, mas enormes, que viraram casas da gente, abrigo para descansar o corpo depois da picada. E malvadeza das malvadezas....em pleno deserto sermos recebidos com caranguejos do Namibe, é de fazer invejinhas e babar muita gente.
"... Espaço, areia, dunas, ahh a Duna Vermelha, subir e ficar sem fôlego, puro prazer e espanto, todo aquele conjunto de montanhas, dunas, pedra, areal, esta diversidade única e que faz do Iona tão diferente, único e sempre belo. Atravessar a Garganta do Mota e ver aquela "cacofonia" de formas, caotica e extraordinária, qual paisagem lunar, pintalgada de algum verde das Welvitchias ou cactus ou espinheiras ou mutiatis.

"...À noite, magia! As estrelas aos milhares, nítidas, quase ao alcance da mão, ali mesmo e o som puro da voz da Filipa Van Eck (fixem este nome, angolana/sul africana, 22 anos) a cantar ópera, tendo como palco uma das grutas de Omahua e a Lua como maestrina. O tempo parou espantado e aquele chão de pó sentiu as lágrimas de emoção de quem a escutava.

"...Ir ao Iona, é como ir ao coração do deserto do Namibe, sentir o pulsar indómito da natureza, ainda tão pura, é sentir como se estivessemos no centro do Universo, pequenos seres, grãos de areia daquelas dunas, atirados pelo vento segundo a vontade de qualquer lei e voltar, lavados por dentro.O Iona e ainda por cima com ópera...morremos felizes vivendo mais um pouco. By Mário Tendinha


Noutros tempos era a "Gruta do Turra"
           
Pista de Capim - Parque Iona 


O Parque Nacional de Iona, a cerca de 240 km de Moçâmedes (Namibe), estende-se desde as dunas de areia junto ao oceano atlãntico até às montanhas de Tchamalinde, a leste.  Ocupa a área de 15.150 km². é limitado a Norte pelo Rio Curoca, a Sul pelo Rio Cunene, a Oeste pelos Rios Cunene e Curoca e, a Leste, pelo Rio dos Elefantes. Foi estabelecido como reserva de caça em 1937 e transformado em parque nacional em 1964. O centro do Parque é de planícies abertas. A pluviosidade média anual varia entre 100 mm a 500mm, aumentando à medida que nos afastamos do mar. Existem trinta e uma fontes naturais dentro do Parque.
 

 


Antes da independência  de Angola e da Guerra Civil que se seguiu, o Iona era um "paraíso animal, rico em caça grossa", mas a caça ilegal e a destruição das infra-estruturas vieram causar danos consideráveis ao parque. Existem três tipos de vegetação: anharas, dunas com arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Abunda a  welwitschia, a exótica planta do Namibe que pode atingir mais de mil anos de vida. O parque também é conhecido por flora única e incríveis formações rochosas. O antílope emblemático do Parque era a palanca negra gigante, praticamente extinta, mas existiam outros mamíferos como o elefante, o leão, o rinoceronte negro, a onça, a hiena, o guelengue, o olongo, e várias espécies de zebras.



Espinheira e welwitschias
Montanhas Tchamalinde e manada de cabras de leque, em foto actual no  Parque Nac. do Iona
DAQUI.

 

  Pediva, lugar bonito à  vista , do qual resultam, também, fotos lindas...

 
Povos do Deserto em foto da época colonial: mucubaes


 Gazelas e guelengues...


Cacto característico do Deserto do Namibe


 O esplendor no deserto quando chove...


 Seguem-se as dunas, vazar os pneus e seguir em alta velocidade até ao sítio onde termina o país, bem no canto sudoeste. A instalação é no Lodge Flamingo, com a protecção próxima da tropa guarda fronteira. Depois é ir ver os pelicanos e os pescadores e seguir rumo aos norte a beira-mar. Pneus vazios e rolar com as velocidades mais altas. À direita, uma parede de dunas e à esquerda, o mar. O tempo é contado, se se pára o carro enterra e se enterra a maré sobe, se sobe leva o carro. É o máximo que se pode exigir em termos de aventura. Perto de 400km de fuga e com a Baía dos Tigres, deserta a acenar, como que dizendo "Aventura, aventura, é vir à ilha que já foi cabo, que se isolou e guarda os canídeos mais famosos de Angola". Os edifícios estão lá, vêm-se da costa. À espera de quem for capaz.







O Deserto de Namibe que bordeia a costa atlântica sul de Angola e da Namíbia surge-nos como que uma desolada cinta de contrastes, rochas, cascalhos e areia...

Em 1850, o explorador, pioneiro sueco, Charles Anderson, assim referiu a sua esterilidade; “As duras penas poderiam encontrar-se, procurando através do mundo, um lugar mais ajustado para representar as regiões infernais.Um estremecimento, quase equivalente ao medo, me sobreveio quando sua espantosa desolação se abriu pela primeira vez perante minha vista… Seria preferível a morte ao desterro em semelhante região”



Lagarto o Deserto

Lagarto do Deserto (Aporosaura anchietae), consegue mergulhar na areia em plena velocidade e nela desaparecer com movimentos ondulantes - protegido dos inimigos e das temperaturas extremas. In Revistage



Camaleão do Deserto
DAQUI

O Deserto de Namibe, com sua única fonte de humidade, suporta uma variedade de animais que se adaptaram a este insólito meio. A maioria é pequena, como os escaravelhos, as térmitas, as vespas, as aranhas e os lagartos, porque apenas sobrevivem os animais que resistem a um pequeno consumo de água.Os lagartos contam com os insetos que são sua comida, e para satisfazer suas necessidades de água, contam com o escasso orvalho acumulado durante as manhãs de nevoeiro.

É realmente um dos lugares mais inóspitos do mundo. A aridez é causada pela descida de ar seco arrefecido pela fria corrente de Benguela que bordeja a costa do Namibe podendo chegar a até 60 °C. Menos de 1 cm de chuva cai anualmente e o deserto é quase completamente estéril. A natureza dos ventos predominantes do poente criou uma panorama único no Deserto de Namibe. Fluindo para o norte desde as águas da Antártida, encontra-se a poderosa, porém fria, “corrente de benguela”. Os ventos do poente, carregados de humidade do cálido Oceano Atlântico, esfriam-se quando se encontram com estas correntes, vendo-se forçados a soltar sua chuva no mar. Como conseqüência, o Deserto recebe uma media anual de chuva de apenas 2,5 mm.




Tchitundu-Hulu 1

Tchitundu-Hulu 2
Ver AQUI

São as gravuras do "Morro Sagrado dos Mucuisses", atribuídas aos antepassados dos khoisan (bosquímanos ou mukankalas), os primeiros povos que habitaram Angola na Proto-História. Trata-se de um dos mais valiosos conjuntos rupestres da Pré-História de Angola, situado num morro granítico denominado Tchitundo-Hulo, no Capolopopo, a cerca de 137 km para leste da cidade de Moçâmedes, actual cidade do Namibe, area do Virei, nas fronteiras da concessão do Caraculo, um pouco a sul do paralelo de Porto Alexandre (Tombwa) .





QUANDO PASSEI POR TCHITUNDU-HULU


Quando passei por Tchitundu-Hulu
tinham acabado de gravar as paredes.
Terminados os rituais de consagração, cá fora,
o povo mágico dançava, comemorando alegremente.
Depois, o povo mágico partiu subindo o Kane-Wia*
– a montanha sagrada onde Deus dorme –
e não mais voltou.

Entretanto, diariamente, sucederam aos dias
o veludo negro das noites
e, anualmente, os cacimbos trouxeram as chuvas
e as chuvas devolveram os cacimbos... sopraram ventos
ventando num dorido e constante lamento.
Houve chuvas ansiadas, esperadas em vão
no desejo árido do umbigo dos deuses e o Tempo,
vento de nada, passou leve e mangonheiro
inspirando o Infinito... expirando o Esquecimento
sobre as gravuras sagradas acabadas de gravar
quando por lá tinha passado naquele dia.

Tchitundu-Hulu rodopiou na bruma esquecida
no regaço do Tempo, encoberto e misterioso...

Um dia, no espreguiçar sem depressas, o Tempo
acordou os Kwissis e eles vieram e sem entender
ou perguntar o quer que fosse acreditaram
e adoraram a Gruta do Morro Sagrado do Céu
fazendo de Tchitundu-Hulu o mistério de sua Fé.





Próximo do Virei, a 80 km da cidade de Moçâmedes (actual Namibe), fica o morro ao qual os mucubais chamam de Kane-Wia, que traduzido para português quer dizer  "quem o subir não volta". 

A  verdade é que o Kane-Wia é um acidente geográfico pouco conhecido e mesmo caído no desinteresse, no entanto se se pedisse a um mucubal para nos acompanhar como guia ele de imediato se recusaria,  e nem a oferta de uma manada de bois o faria mudar de ideias.

 O Kane-Wia surge-lhes como que uma montanha sagrada onde Deus dorme, interditada ao comum dos mortais. O certo é que em 1937 acabou por sucumbir em pleno deserto o Dr. Luís Wittnich Carrisso, biólogo da Universidade de Coimbra, que se deslocara alí em missão de estudo da flora local. Como homem de ciência que era, resolveu contrariar a crença e subir o Kane-Wia, porém, ainda que socorrido pelo seu companheiro, já não voltou. Nesse local foi mais tarde erguida uma lápide com a seguinte inscrição: “Dr. L. W. Carrisso XIV-VI-MCMXXXVII.



QUE SUBA O MWATA O KANE-WIA

O tempo arrasta garroa
como se fosse um vento fétido
expirado por deuses amnésicos.
Na noite, oximalankas e mabecos,
dão risadas sob o luar da Morte.

O tempo traz garroa no ventre
e uma aridez uterina ondula despertando
o Kazumbi ancestral que vem dizendo:
– Que suba o mwata o Kane-Wia,
Depressa-depressa!
– Que suba o mwata o Kane-Wia,
a montanha quem sobe não volta
para nunca mais impedir a chuva
sobre a terra, roseira bela!

– Que suba o mwata o Kane-Wia,
deixando açucenas florindo
nos ombros dos caminhos e sobre a terra,
roseira bela, a chuva crepitando
purgando e redimindo nosso corpo
desalmado e sem sentido.
– Que suba o mwata o Kane-Wia...

Namibiano Ferreira (in No Vento e No Tempo)

Mwata – senhor, chefe, líder. Oximalankas – hienas.Mabeco – cão selvagem.
 ver também AQUI


 O Deserto, tal como o mar apresenta-nos aspectos ilusórios, efeitos singulares produzidos pela luz solar nas areas finas e escaldanres - as Miragens -  sobre as quais Henrique Galvão in Outras Terras, Outras Gentes refere:  “Com a força do sol multiplicam-se efeitos de miragem. Ora vemos lagos espelhentos
que se somem na terra, à medida que nos aproximamos, ora parece o próprio mar
que está na nossa frente, com arquipélagos fantásticos e silhuetas de veleiros”. 





La fauna se ha acostumbrado a la vida en el desierto

 
 



Muitos destes animais que outrora deambulavam livres e felizes pelo Deserto do Namibe, a guerra pós-independência fez liquidar e dispersar..

.

Bela foto tirada no Deserto do Namibe por Parreira da Cruz, na década de 1960



 As desconfiadas suricatas

Suricatas: Estes animais são exclusivamente diurnos e vivem em colônias de até 40 indivíduos, que constroem um complicado sistema de túneis no subsolo, onde permanecem durante a noite. Dentro do grupo, os animais revezam-se nas tarefas de vigia e proteção das crias da comunidade. O sistema social dos suricates é complexo e inclui uma linguagem própria que parece indicar, por exemplo, o tipo de um predador que se aproxima. Estudos mostram que os suricates são capazes de ensinar activamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade humana de ensinar. Ver AQUI e AQUI
 
As suricatas habitam normalmente zonas de uma imensidão escalvada e pedregosa, crestada de mil sóis, onde a vegetação, definhada e triste, que se animava a espaços com manchas de arbustos e arvoredos ralos. Na parcela mais meridional deste mundo inóspito estendem-se grandes dunas movediças, a que as ventanias salgadas arrancavam turbilhões espessos que encobrem a luz solar...
 
                                                                                         Daqui




 Daqui

Alguém um dia passou por aqui e resolveu começar... Em seguida tornou-se um ritual para todos aqueles que passavam por aqui a caminho do parque do Iona... O viajante deve depositar uma pedra para ter sorte. Em consequência, já não há pedras no raio de 200 metros. Não obstante, hoje veicula-se a ideia da existência de uma tradição herero que diz ser  este o local do túmulo de um soba. Será?


Mais um quilómetro e estamos no local em que o Cunene encontra o mar. Emoção sem medida.
Pelicanos, patos e outras aves
na foz do Cunene.
Início do regresso rumo ao norte, sempre pela costa.



   


CANÇÃO DO SILÊNCIO





Ouvindo o silêncio das coisas remotas,
Distingo legendas que os outros não
lêem...
Vislumbro paisagens confusas, remotas,
- Silhuetas de imagens que muitos não
vêem!...
Desvendo os mistérios da selva distante,
Aonde costuma rugir o leão...
- Arroios cantando, num som murmurante,
Anharas perdidas p'ra além do sertão...
Capim verdejante nas húmidas chanas,
Lençol de esmeralda que o sol vai
Corando...
Matizes da selva, luar das savanas,
Mabecos fugindo, pacaças pastando...
Silêncio das noites sombrias, caladas,
Segredos da selva, murmúrios da aragem...
-Holongos ligeiros, fugindo, em manadas,
Regatos correndo por entre a folhagem...

Latidos de hienas em torno dos quimbos,
Já dentro da noite, se a fome as aperta;
Quimbundas alegres, sachando os arimbos
Depois que o som cavo do goma as desperta
Chingufos ao longe - rufar permanente -
Chamando ao batuque de intensa folgança...
E os pretos, gingando pra trás e pra
Frente,
Agitam as ancas na febre da dança!...
E a lua, do alto - qual "hostia boiante" -

Envolve o cenário num manto sidério...
- Canção do silêncio da selva distante,
Bem poucos entendem teu som de mistério!

M. Correia da Silva



Situado sobre uma falésia frontal ao mar e à praia, próximo à foz do Rio dos Flamingos surge ao viajante o Flamingo Lodge, localizado na costa a cerca de 70 km  de Moçâmedes, zona desabitada, cujo mar suporta populações de peixes praticamente intocadas, e paisagens desérticas altamente diversificadas, contendo algumas áreas de especial beleza. É hoje o local ideal para a pesca com anzol, mergulho, caminhadas,  passeios em moto-quatro ou com veículos e barcos infláveis e quad-bikes, local onde podemos observar tartarugas, tubarões, golfinhos, baleias, pelicanos e flamingos, focas, caranguejos, etc, que povoam o mar e a praia...





Zona da Baía dos Tigres
Por aqui pode-se fazer uma paragem rápida para apanhar enormes de mexilhões ...

O trajecto até à Baía dos Tigres de jeep, ou melhor, à ilha que já foi cabo e que se isolou, ou indo mais além, através das escaldantes areias, entre uma parede de dunas o mar, é uma autêntica aventura que obriga o condutor a partir de determinada altura a ter que a vazar os pneus,  seguir em alta velocidade num  trajecto em que o veículo não pode parar para não enterrar e  obriga a uma atenção permanente à subida da maré para que esta não o leve.

 
 DAQUI 



Bando de pelicanos na Foz do
Rio Cunene com as dunas por trás. Foto DAQUI

Para os lados do mar desdobrava-se um cordão arenoso de enseadas e baías, divididas por arribas de um dourado vivo, confinantes com o deserto do Namibe...


DESERTO

Cruzei tuas areias tantas vezes sem destino
Pasmei com a beleza agreste dos teus cactos
Nas tuas dunas fui solitário peregrino
Saciei a minha sede nos teus odres fartos
Dos alcantilados desnudos e arenosos
Dourei-me em poentes e mágicas auroras
Mergulhei no oceano meus olhos temerosos
Banhei-me em tuas águas sulfurosas.

Figuras monumentais, formas estranhas
Esculpidas pelos ventos cortantes erosivos
Escorpiões, lagartos coloridos e aranhas
Esgueirando-se ligeiros, prudentes e esquivos
Ágatas de mil cores colorindo o teu regaço
Arcos, gargantas e grutas majestosas
Fendido por rios aluviónicos o teu espaço
Florindo com a escassa chuva, a erva formosa

E à noite quando as estrelas brilham mais
Sentado ao calor das fogueiras na negrura
Ouviam-se histórias antigas de gado e mucubais
Evocando a terra do mel do leite e da fartura
E então nas madrugadas calmas, sonolentas
Aguardando do sol o cálido beijo matinal
Dissolvendo as neblinas, rasteiras, friorentas
Perante os meus olhos o meu deserto universal.

Dias de Sousa



Daqui

Finalmente e após uma viagem extenuante através do deserto em que dunas são vencidas graças a muita persistência, é possível alcançar-se o rio Cunene e passar para o outro lado, até à capital da Namíbia, Windhoek, ou prosseguir até à Africa so Sul...


 
  Daqui





 
 Fotos retiradas da Net em relação às quais ainda não consegui detectar o autor para aqui colocar a devida referência

Nesta zona as águas da costa são geladas devido à corrente de Benguela, que flui para o norte ao longo do sudoeste da África, transportando consigo uma parte das águas antárticas. Com o movimento da corrente e o vento sudoeste intenso, ocorre o “upwelling”,  fenômeno que traz camadas profundas de água mais fria e rica em nutrientes para a superfície, sustentando animais e plantas microscópicas que alimentam grandes populações de peixes, que por sua vez são fonte de proteína para animais maiores, como foca, golfinhos e aves.

Daqui
 Foto DAQUI



Mais para  sul a Namibia e a Costa dos Esqueletos...




Trecho da Costa dos Esqueletos, Namíbia, África Ocidental

A Costa dos Esqueletos, já na Namibia (ex-sudoeste Africano) é um território inóspito dentro de uma paisagem desoladora. Aos náufragos que alguma vez atingiam a praia, vencendo águas demasiado frias e correntes sobre-humanas, só lhes restava festejar o adiamento da morte porque os esperava um deserto quente e seco, ainda mais cruel que o oceano.




UMA REFERÊNCIA ESPECIAL AOS POVOS DO DESERTO DO NAMIBE:


Os primeiros habitantes do  território actualmente ocupado por Angola foram povos caçadores  caçadores-recolectores  originários da África Central, os Pigmeus (Mbuti), que passaram a ocupar as florestas-galeria na metade norte do território (Províncias de Kongo, Uíge, Kuanza-Norte e Lundas) e os Khoisan, Bosquímanos ou Mukalas (escravos segundo os bantos). Foram provavelmente os únicos habitantes da zona até ao século XIV, e ocuparam os extensos planaltos interiores das províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico, Kuando-Kubango, Cunene, Huíla e Namibe na época que os bantos vieram do norte e uma parte se teria fixado a norte e ao sul da parte inferior do Rio Congo ou Zaire. Acredita-se que os koisan tenham remota origem caucasiana.

 

 Boquímanos ou mukankalas, "os verdadeiros donos" de Angola
DAQUI

O povo bosquimano ou mukankala do grupo Koisan foi aquele que primeiro surgiu no território que é actualmente ocupado por Angola. Ancestralmente adaptados à vida no Deserto, possuem características físicas e antropológicas que os diferem de todas as outras raças do mundo: cor terrosa clara, olhos rasgados e oblíquos de oriental (bons para proteção da forte luminosidade ), as pernas são desproporcionalmente compridas em relação ao tronco. Os pés são bem largos, com dedos curtos, adaptados para as caminhadas pelas areias do deserto

Perseguidos pelos povos bantos quando estes, séculos mais tarde, provenientes da África Central começaram a descer rumo ao sul e a leste,  este povo encontra-se actualmente reduzido a pequenas populações vivendo principalmente no deserto do Kalahari (Namíbia) e no deserto do Namibe (Angola). Os bosquímanos ou mukankalas vivem como vivíamos há 100 mil anos. Entre eles não existem guerras, porque daado a vida simples que vêm desde sempre mantendo, não têm pelo que lutar:  não possuem terras, são nómades, e apenas precisam de se deslocar de um lado para outro com um mínimo de posses. Falam com estalidos na língua, como os xhôsas e outros bantos.


 Famílias de bosquímanos ou mukankalas
DAQUI

Mas há outros grupos não bantos descendentes deste povo: são os kuissis, mukuísses e kurokas, chamados pelos povos da etnia banto, por Wá-Twa (errantes), pelos escravos, por Ova-Zolotwa ( negros errantes, para distingui-los dos mukuankalas). Os kuissis vivem na faixa litorânea do norte do Namibe, entre o mar e o deserto, são descendentes mestiços dos mukuankalas e estão no mesmo estágio de evolução que eles. Vivem da caça e coleta de frutos, raízes, mel e répteis. Alimentam-se também de restos deixados pelos animais carnívoros. Os mukuisses "descendentes também dos mukuankalas -- linha étnica hotentote -- eram inicialmente sedentários. Alguns vivem atualmente nas cercanias do Morro Maluco, perto da Huíla. Não belicosos, sempre foram perseguidos pelos outros povos para serem utilizados como escravos. Tornaram-se em consequência, hábeis na fuga e na camuflagem. Como os seus perseguidores tentam pegá-los normalmente à mão, para não os danificarem para o trabalho escravo, os mukuísses untam o corpo com uma mistura à base de gordura animal, que os deixa escorregadios e lhes facilita se livrarem dos captores quando agarrados." Os kurokas são um povo pré-Bantu, com características físicas e antropológicas e fala similares às dos mukuankalas, mas em vez da cor terrosa, são negros. 
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Foi, pois, só depois, muito tempo depois, que chegaram os "bantos" que hoje dominam. Foi apenas nos primeiros quinhentos anos da era actual, que as populações  da África Central deram inicio a uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou expansão banto, tendo uma parte se fixado a norte e ao sul da parte inferior do Rio Congo ou Zaire (bakongos), enquanto que outras populações que se fixaram inicialmente na região dos Grandes Lagos, no século XVII deslocaram-se para oeste, atravessando o alto Zambeze até ao Cunene (n`ganguelas, ovambos e xindongas). Em 1568  entraram pelo norte os jagas que são, através de cobates, empurrados pelos bakongo para sul, para a região de Cassange. No século XVI, ou mesmo antes, os Nhanecas entraram pelo sul de Angola, atravessaram o Cunene e instalaram-se no planalto Huila, enquanto ao mesmo tempo um outro povo, os Hereros, povo de pastores, abandonava a sua terra na região dos Grandes Lagos,  entraram pelo extremo leste de Angola, atravessaram o planalto do Bié e instalaram-se entre o Deserto do Namibe e a Serra da Chela, no sudoeste angolano.Já no século XVIII
  entraram os Ovambos ou Ambós provenientes do baixo Cubango, e estabeleceram-se entre o alto Cubango e o Cunene, enquanto os Quiocos abandonaram o Catanga, atravessaram o rio Cassai e instalaram-se de inicio na Lunda, no nordeste de Angola, migrando depois para sul. Finalmente, já no século XIX apareceram os cuangares, provenientes de Orange, na África do Sul , instalando-se primeiro no Alto Zambeze (macocolos), passando alguns passaram para o Cuangar no extremo sudoeste angolano, onde estão hoje, entre os rios Cubango e Cuando. As guerras entre estes povos eram frequentes. Os migrantes mais tardios eram obrigados a combater os que se estavam estabelecidos para lhes conquistar terras.  Infs de Wikipedia
Ver tb AQUI

"...Secos, altivos e ferozmente independentes, os Cuvales chegaram ao território com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça coberta pelo gracioso chapéu de pele de carneiro - e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas. (...)

Senhores de uma nova pátria, desembaraçados de qualquer oposição séria, os Cuvales, tal como os restantes hereros, disseminaram pelo território a sua lei (...)."

(José Bento Duarte - Senhores do Sol e do Vento - Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos - Editorial Estampa - Lisboa, 1999)- Lisboa, 1999)
Família Himba
DAQUI

A tribo Himba é uma das mais fascinantes de África. Os Himbas (ou Ovahimbas) são uma tribo do grupo étnico dos Hereros, tal como os Cuvales, que, vindos da Etiópia com as suas ovelhas e bois no século XVI, atravessaram a Africa, estenderam-se pelo Sul de Angola, nas proximidades do Cunene, e um número elevado atravessou mesmo a correnteza, fixando-se nas paragens áridas e fascinantes do Norte da Namíbia (antigo Sudoeste Africano, colónia alemã), vivendo uma vida semi-nómada sem terem em conta fronteiras  por onde vagam à vontade ainda hoje, caminhando pelo deserto às vezes mais de 80 Km a pé em busca de água para o gado. Criadores de gado excepcionais, são considerados como um dos últimos povos pastores nómadas. 

É surpreendente hoje em dia a forma como ainda se mantêm tão ligados às tradições e, principalmente, ao seu antigo modo de vida. Parte da resposta, dizem alguns, reside no facto de se tratar de um povo extremamente orgulhoso, fiel às suas origens, que não tem pressa nem sequer pretende aderir às “maravilhas” civilizacionais a que outros grupos, tal como os bosquímanos, que acabaram por sucumbir, em muito por entre essa "maravilha"  que se chama  álcool.

himba lady / kaokaveld
A bela imagem de uma Himba
 
as belas e coquetes "mulheres vermelhas" que não dispensam os seus adornos


e  os seus artísticos e belos penteados...de um gosto estético fora do comum...

Mulheres da etnia Himba, habitantes da região Norte da Namíbia, consideradas as mais belas e elegantes habitantes do Deserto do Namibe...  São objecto de muita curiosidade por aqueles que visita a zona onde habitam, em Angola, a norte do Cunene.  Elegantes, coquetes e belas elas  untam o corpo com um "creme ocre" que fabricam com manteiga do leite das vacas ou cabras, que misturam com uma fina terra avermelhada extraída do deserto, moida e misturada também com o suco de um cacto. Tudo isso faz a maquilhagem  "atractiva" que usam e a cor avermelhada da pele que ostentam, maquilhagem que também   lhes serve para se protegerem do vento e do sol, bem como das mordidas dos insectos. À estética utilizada no cuidado dos seus corpos e dos seus rostos, elas juntam o gosto pelos penteados e conseguem efeitos dignos de uma obra de arte. Adornam-se com uma infinidade de pulseiras, colares e curtas peças de vestuário, feitas de quase tudo o que lhes é possível utilizar: cobre, búzios, ráfia, pedrinhas, peles, paus e mesmo plásticos, que cortam e decoram de forma igualmente tradicional – não importa de onde vem, desde que possam utilizar como sempre utilizaram ou como bem entendem. São um povo de feições e estatura elegantes, de fazer inveja aos modelos ocidentais. Os Himba, trata-se de uma tribo baseada numa sociedade matriarcal, com as mulheres a ocuparem o papel central Elas gerem os filhos, possuem as casas, o gado e os vários utensílios que existem nas aldeias.
foto DAQUI
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O Deserto do Namibe penetra a Namibia...

onde já é Kalahari . Possui vasta área coberta por areia avermelhada sem afloramento de água com  caráter permanente. Não é um deserto verdadeiro. Partes dele possuem bastante vegetação, sendo realmente árido somente no sudoeste (menos de 175 mm de chuva ao ano), o que dele faz  um deserto de fósseis. As temperaturas no verão do Kalahari vão de 20 a 40°C. No inverno possui um clima seco e frio com geada à noite, e as temperaturas podem descer abaixo de 0°C. No verão em algumas regiões pode alcançar 50°C





Nos tribos
E assobios
Dos pássaros bravios
Ouço a tua voz Angola.
Dos fios
Esguios
Em arrepios
De mulembas sólidas
Escorre a tua voz Angola.

Nas ondas calemas
Barcos e velas
Dongos traineiras
Âncoras e cordas
Freme a tua voz Angola.

Em rios torrentes
Regatos marulhentos
Lagoas dormentes
Onde morrem poentes
Brilha a tua voz Angola.

No andar da palanca
No chifre do olongo
No mosqueado da onça
No enrolar da serpente
Inscreve-se a tua voz Angola.

No acordar dos quimbos
Nos cúmulos e nimbos
Nos vapores tímidos
Em manhãs de cacimbo
Flutua a tua voz Angola.

Na pedra da encosta
No cristal de rocha
Na montanha inóspita
No miolo e na crosta
Talha-se a tua voz Angola.

Do chiar dos guindastes
Do estalar dos braços
Do esforço e do cansaço
Emerge a tua voz Angola.

No ronco da barragem
No camião da estrada
No comboio malandro
Nos gados transumantes
Ecoa a tua voz Angola.

Dos bongos e cuicas
Concertinas apitos
Que animam rebitas
Farras das antigas
Salta a tua voz Angola.

A flor da buganvilia
A rosa e o lírio
Cachos de gladíolos
O gengibre e a cola
Perfumam a tua voz Angola.

Ouve-se e sente-se e brilha
A tua voz Angola

Inscreve-se nos seres talha-se nas rochas
A tua voz Angola

Vai com o vento goteja com o suor
A tua voz Angola

Por toda a parte por toda a parte
A tua voz Angola

Que voz é essa tão forte e omnipresente
Angola?

Que voz é essa omnipresente e permanente
Angola?

É a voz dos vivos e dos mortos
De Angola
É a voz das esperanças e malogros
De Angola
é a voz das derrotas e vitórias
De Angola
É a voz do passado do presente e do porvir
De Angola
É a voz do resistir
De Angola
É a voz dum guerrilheiro
De Angola
É a voz dum pioneiro
De Angola.

Antero Abreu
in "A Tua Voz Angola


Para saber mais, clicar AQUI
AQUI
LIVRO 

MariaNJardim

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito de aprender aqui. Obrigada

restinga disse...

MNJardim
Estamos a fazer uma Monografia sobre o Namibe. Gostava de falar consigo.
Maria Vieira

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